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Judit Pino: «Há uma séria falta de cultura de compliance no setor imobiliário»
November 27, 2025

Judit Pino: «Há uma séria falta de cultura de compliance no setor imobiliário»

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Judit Pino é especialista em compliance regulatório e, nos últimos anos, tem-se focado na Prevenção de Branqueamento de Capitais (AML) e Financiamento do Terrorismo (CTF) no setor imobiliário. Tem uma vasta experiência em diferentes indústrias, o que lhe permite afirmar com segurança que os analistas se tornam «uma espécie de detetive» para investigar, analisar e enfrentar «um segundo mundo que opera fora do campo de visão da maioria das pessoas».

«A reputação do setor imobiliário como ponto fraco na prevenção não é totalmente injusta», reconhece a analista, lembrando que os grandes bancos conseguem suportar um nível muito maior de «investimento e auditoria». «Por isso é que soluções acessíveis como a Didit podem ajudar trabalhadores independentes e pequenas empresas», sublinha.

P: O que a atraiu para o mundo do compliance e da prevenção do branqueamento de capitais?

R: É um setor entusiasmante, em que todos os dias há um novo desafio e nunca é aborrecido. A formação contínua é essencial, sobretudo com o aparecimento da inteligência artificial e das novas tecnologias. Acabamos por nos tornar uma espécie de detetive: investigamos, analisamos e enfrentamos esse «segundo mundo» que funciona longe do olhar da maioria das pessoas. Cada experiência me enriqueceu — das criptomoedas à contrafação. Se não te manténs atualizada, ficas para trás.

P: Como mudou a sua visão sobre o compliance desde que começou?

R: Mudou imenso. Dentro de uma empresa, a área de compliance costuma ser vista como o «polícia mau», o que trava os objetivos comerciais. Na banca, o controlo é muito mais apertado devido às coimas e ao impacto reputacional. No imobiliário, a regulação está a aumentar e isso exige mais profissionais de compliance e mais recursos, o que muitas vezes leva a que estas funções sejam delegadas em terceiros.

P: O que distingue o setor imobiliário em termos de compliance?

R: A principal diferença é a capacidade de investimento em tecnologia e em auditorias internas. Um banco pode suportar ferramentas avançadas e equipas de auditoria; um trabalhador independente ou uma pequena agência imobiliária não. Com o Regulamento único de Prevenção de Branqueamento de Capitais (Single AML Regulation) e a Sexta Diretiva AML (AMLD6), todos vão ter de se pôr em dia, mas a adaptação será muito desigual.

P: A reputação do setor imobiliário como ponto fraco na prevenção do branqueamento é justa?

R: Não é totalmente justa. O problema é que os pequenos operadores não recebem ferramentas nem apoio suficientes. Se se exige o mesmo nível de compliance para todos, então deviam existir apoios ou subsídios. Caso contrário, o setor acabará por ser monopolizado pelos grandes fundos e os independentes ficarão relegados a trabalhar para eles.

P: A consciencialização para o compliance está a crescer no setor?

R: Sem dúvida. Com a chegada da nova diretiva e o endurecimento das regras, os trabalhadores independentes e as pequenas empresas estão mais conscientes das suas obrigações e são obrigados a levar o tema muito mais a sério.

P: Que importância têm os processos e a tecnologia na adaptação regulatória?

R: São fundamentais. Cada alteração regulatória implica redesenhar alertas e aplicações. O cenário ideal é que as ferramentas se integrem na perfeição com os sistemas do cliente e se adaptem às suas necessidades reais. Mas nem sempre há orçamento para isso, e acaba-se a trabalhar com soluções parciais ou «remendos». É essencial fazer testes exaustivos e garantir que os fornecedores tecnológicos se envolvem no dia a dia do cliente. No caso de trabalhadores independentes ou pequenos operadores, a solução pode passar por ferramentas como a Didit.

P: A relevância dos processos de verificação de identidade mudou?

R: Muito. Com as reservas de imóveis online, muitos mediadores independentes não compreendem a verdadeira importância destes processos, tanto online como offline, e encaram o compliance como um entrave. Falta cultura de compliance, conhecimento e recursos nas pequenas imobiliárias e entre os independentes, e é precisamente aí que ferramentas como a Didit podem fazer a diferença. Nas grandes empresas, o cenário é outro.

P: O que pensa da tokenização e das plataformas de cripto no imobiliário?

R: São uma oportunidade para o setor, mas também um risco acrescido em termos de branqueamento de capitais. A nova regulação procura enquadrar estes modelos para aumentar a segurança, embora um excesso de regras possa tornar as operações demasiado complexas. A identificação do cliente continua a ser essencial, independentemente do grau de digitalização.

P: Como é coordenada a prevenção de fraude entre equipas internas e externas?

R: Através de controlos internos, canais de reporte internos e externos, requisitos regulatórios e colaboração com as autoridades. O trabalho de compliance é fundamental para evitar que pessoas inocentes sejam afetadas por fraudes ou por roubo de identidade. Precisamos de mais sensibilização, sobretudo entre os pequenos operadores.

P: Que perspetiva tem para o futuro do compliance no setor imobiliário?

R: A due diligence será muito mais exaustiva e tanto a análise quantitativa como a qualitativa serão valorizadas. Vamos precisar de profissionais com experiência e visão global. A tendência aponta para a concentração: os grandes players vão sobreviver e os pequenos terão de se adaptar ou, receio, acabarão por desaparecer. O setor será mais global, mais digital e muito mais exigente em matéria de compliance.

Judit Pino: «Há uma séria falta de cultura de compliance no setor imobiliário»

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