A Incapacidade de Prevenir Fraudes: Uma Nova Era de Responsabilização (PT-PT)
Alterações legais recentes estão a transferir o ónus da prevenção de fraudes para as empresas. Saiba mais sobre a ‘incapacidade de prevenir fraudes’, responsabilidade criminal das empresas e como construir um programa de.

A Incapacidade de Prevenir Fraudes: Uma Nova Era de Responsabilização
O panorama da responsabilidade criminal das empresas está a mudar rapidamente. Historicamente, processar empresas por fraude exigia provar o envolvimento direto da alta administração. No entanto, uma tendência crescente – a infração de ‘incapacidade de prevenir fraudes’ – está a transferir o ónus da responsabilidade. Isto significa que as empresas podem agora ser consideradas criminalmente responsáveis por atos fraudulentos cometidos por funcionários, mesmo que os líderes seniores não estivessem diretamente envolvidos. Este artigo irá analisar este novo padrão, explorar as suas implicações e delinear como as organizações podem construir programas de prevenção de fraudes eficazes para mitigar o risco.
Principais Conclusões
Novo Padrão de Responsabilização: As empresas podem ser processadas por fraudes cometidas por funcionários, independentemente do envolvimento direto da alta administração.
Conformidade Proativa é Crucial: Um programa robusto de prevenção de fraudes já não é opcional; é uma necessidade para mitigar o risco legal e financeiro.
Impacto Global: Embora tenha origem no Reino Unido, legislação semelhante está a ser considerada noutras jurisdições, incluindo os EUA e a UE.
Foco na Prevenção: A ênfase está em demonstrar um compromisso genuíno com a prevenção de fraudes, não apenas em reagir a incidentes.
O Crescimento das Infrações de ‘Incapacidade de Prevenir’
O conceito de infrações de ‘incapacidade de prevenir’ originou-se no Reino Unido com a Lei de Suborno de 2010. Esta lei estabeleceu que as organizações comerciais poderiam ser consideradas responsáveis se falhassem em prevenir o suborno, mesmo que o suborno fosse cometido por uma pessoa associada (por exemplo, um funcionário, agente ou subsidiária). Em 2017, a Lei das Finanças Criminais expandiu este princípio para abranger fraudes, branqueamento de capitais e evasão fiscal. Isto significa que uma empresa pode ser condenada por um crime se não tiver procedimentos adequados para prevenir estas infrações, mesmo que não tivesse conhecimento ou autorização da atividade criminosa.
Historicamente, os promotores precisavam de provar uma ‘mente diretiva’ – que um gestor sénior facilitou conscientemente a fraude. Isto era frequentemente difícil de estabelecer. A infração de ‘incapacidade de prevenir’ elimina este requisito, tornando significativamente mais fácil processar as empresas. O foco desloca-se da prova da intenção para a avaliação da adequação do programa de conformidade da organização.
Compreender a Responsabilidade Criminal das Empresas
A responsabilidade criminal das empresas é a responsabilidade legal de uma empresa pelas ações dos seus funcionários e agentes. As penalidades por condenação podem ser severas, incluindo multas substanciais, danos à reputação e até a desqualificação de diretores. A mudança para as infrações de ‘incapacidade de prevenir’ aumenta dramaticamente o risco de processamento.
Por exemplo, em 2022, uma empresa de serviços financeiros sediada no Reino Unido foi investigada por um esquema de fraude de vários milhões de libras esterlinas perpetrado por um funcionário desonesto. Embora a empresa tenha afirmado que não tinha conhecimento da fraude, os investigadores encontraram lacunas significativas nos seus controlos antifraude. A empresa acabou por enfrentar uma multa substancial e uma investigação demorada, embora nenhum dos executivos seniores estivesse diretamente envolvido na atividade fraudulenta. Este caso ilustra o poder do novo padrão.
O Que Constitui um Programa Adequado de Prevenção de Fraudes?
Simplesmente ter uma política contra fraudes não é suficiente. Os promotores avaliarão todo o programa, procurando evidências de avaliação proativa de riscos, controlos internos robustos e monitorização contínua. Os principais elementos de um programa adequado incluem:
- Avaliação de Riscos: Identifique e avalie regularmente os riscos de fraude específicos da sua organização, setor e localizações geográficas.
- Políticas e Procedimentos: Desenvolva políticas e procedimentos claros e abrangentes que abordem a prevenção, deteção e comunicação de fraudes.
- Formação: Forneça formação regular a todos os funcionários, especialmente aqueles em funções de alto risco, sobre consciencialização e prevenção de fraudes.
- Controlos Internos: Implemente controlos internos robustos, como separação de funções, limites de autorização e auditorias regulares.
- Mecanismos de Comunicação: Estabeleça canais de comunicação confidenciais e acessíveis para os funcionários levantarem preocupações sobre potenciais fraudes.
- Procedimentos de Investigação: Desenvolva procedimentos claros para investigar suspeitas de incidentes de fraude.
- Monitorização Contínua: Monitorize regularmente as transações e atividades em busca de padrões suspeitos.
A Expansão Global de ‘Incapacidade de Prevenir’
Embora a infração de ‘incapacidade de prevenir’ tenha origem no Reino Unido, a sua influência está a espalhar-se. O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) sinalizou a sua intenção de adotar princípios semelhantes, enfatizando a importância de programas de conformidade proativos. Na Europa, estão a decorrer discussões sobre a harmonização das leis de responsabilidade criminal das empresas, o que poderá incluir um padrão de ‘incapacidade de prevenir’. As empresas que operam internacionalmente devem estar cientes destes cenários legais em evolução e adaptar as suas estratégias de prevenção de fraudes de acordo. De acordo com a Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), as organizações com controlos antifraude sólidos experimentam 41% menos incidentes de fraude, destacando a correlação direta entre as medidas proativas e a redução do risco.
Como a Didit Ajuda
A Didit fornece uma plataforma de identidade abrangente, concebida para ajudar as organizações a mitigar o risco de fraude e a cumprir as suas obrigações de conformidade. As nossas soluções incluem:
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- Deteção de Vida: Verificações avançadas de vida para prevenir ataques de falsificação.
- Rastreio AML: Rastreio em tempo real contra listas globais de sanções e listas de observação.
- Sinais de Fraude: Análise de endereço IP, dados do dispositivo e sinais comportamentais para identificar atividades suspeitas.
- Orquestração de Fluxos de Trabalho: Fluxos de trabalho personalizáveis para automatizar os processos de prevenção de fraudes.
Ao integrar a Didit no seu quadro de conformidade, pode demonstrar um compromisso proativo com a prevenção de fraudes e reduzir a sua exposição a riscos legais e financeiros.
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FAQ
Qual é a diferença entre ‘conhecer’ fraudes e ‘não prevenir’ fraudes?
Tradicionalmente, provar a responsabilidade criminal das empresas exigia demonstrar que a empresa, através da sua alta administração, “sabia” da fraude e a facilitou. ‘Incapacidade de prevenir’ desloca o ónus. Concentra-se em saber se a empresa tinha sistemas e controlos adequados para prevenir razoavelmente a fraude, independentemente de alguém dentro da empresa ter participado conscientemente.
Quais setores correm maior risco de serem processados ao abrigo das leis de ‘incapacidade de prevenir’?
Embora todos os setores estejam potencialmente em risco, aqueles com taxas de fraude mais altas ou maior escrutínio regulamentar são particularmente vulneráveis. Estes incluem serviços financeiros, saúde, comércio eletrónico e qualquer setor que lida com grandes somas de dinheiro ou dados confidenciais.
Como posso demonstrar que a minha empresa tem um programa de prevenção de fraudes ‘adequado’?
A documentação é fundamental. Mantenha registos detalhados das suas avaliações de risco, políticas, programas de formação, controlos internos e procedimentos de investigação. Reveja e atualize regularmente o seu programa para garantir que ele permanece eficaz e alinhado com as melhores práticas em evolução. O Serious Fraud Office (SFO) do Reino Unido fornece orientação sobre o que constitui um programa adequado.
A cobertura de seguro está disponível para infrações de ‘incapacidade de prevenir’?
A cobertura pode ser complexa e muitas vezes limitada. Muitas apólices de Diretores e Responsáveis (D&O) têm exclusões para atos criminosos. É crucial rever cuidadosamente as suas apólices de seguro e considerar uma cobertura suplementar, se necessário. A prevenção proativa de fraudes continua a ser a forma mais eficaz de mitigar o risco.